segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Acordem os meninos, vocês que leram...

Pela primeira vez na história, a próxima geração terá menos oportunidades do que seus pais. Para começar, a crise ecológica dificultará a sobrevivência das gerações futuras. O aquecimento global fará a vida menos confortável, a desarticulação do clima levará à escassez de alimentos e água., os recursos naturais ficarão mais raros e o conforto, mais caro.

Além disso, será cada vez mais difícil conseguir empregos e bons salários.O avanço técnico, que trará muitas vantagens para a saúde de quem puder pagar pelo tratamento, vai, ao mesmo tempo, desempregar e exigir alta formação para os que terão empregos. Diante dessas dificuldades, os jovens de hoje têm algumas alternativas.

Alguns, como já acontece, vão cair na marginalidade e usar o crime como forma de compensar sua dificuldade. Seus pais vieram do campo, com pouca instrução e conseguiram emprego graças a cursos simples que permitiram emprego. Agora os empregos são raros e exigem boa formação.

Outros, especialmente de classe média ou média alta, procurarão emigrar para o exterior, como seus pais fizeram, no passado, ao sair do campo para a cidade. Raros serão bem sucedidos. A maior parte sobreviverá em melhores condições do que no Brasil, mas de forma marginal, com subempregos, mesmo remunerados em dólar. Os que ficarem terão bons empregos, mas sem o padrão de vida dos pais: casas e férias menores, mais bugigangas eletrônicas e muita incerteza.

Os poucos que tiverem oportunidade de bons estudos continuarão aqui e terão uma vida de alto padrão de consumo, participarão da economia global, viverão protegidos por sistemas de segurança e mandarão seus filhos, desde pequenos, estudarem em escolas particulares super protegidas ou no exterior.

Não são futuros desejados para nenhum dos grupos e, ainda menos, para o Brasil. Por isso, é preciso escolher outra alternativa: lutar politicamente para mudar essa tendência. Votar nos mesmos e viciados políticos e partidos não mudará o rumo do Brasil nem a vida dos jovens de hoje. Não dará a eles um futuro a quem têm direito. Tomar o poder por uma revolução que subverta toda a economia e a sociedade não é mais possível, não há modelo para se implantar depois, nem haverá força capaz de desmantelar o perverso sistema montado. E o resultado pode ser ainda pior. Nem os jovens vão querer a aventura do impossível, sem uma bandeira clara que os empolgue.

Mas há um objetivo tangível: exigir educação de qualidade para todos e construir a utopia possível neste momento – a garantia da mesma chance para todos. E fazer com que todas as escolas do Brasil tenham a mesma qualidade. A escola da favela, ou do campo, sejam equivalente à do condomínio da cidade.

Todos os professores bem remunerados, desde que dedicados, competentes e ensinando numa escola bonita e bem equipada, onde os jovens saiam do ensino médio preparados, com a mesma chance que os pais tiveram, no passado. Essa é a revolução possível.

Para isso, os jovens precisam se mobilizar dentro de suas escolas, nas ruas, via e-mail, por telefone, como seus pais fizeram pela democracia, por salários, pelo socialismo. Acordem, meninos, vocês precisam ganhar o direito à mesma chance. Precisam fazer uma revolução: educação já.

Estou ciente de que os meninos não querem acordar. Nem vão ler este artigo. Estão nas ruas, nos shoppings ou manipulados por partidos acomodados. Por isso, o título deste artigo deve ser: “Acordem os meninos, vocês que leram”. Antes que eles sejam soterrados nos escombros do futuro.

(Cristovam Buarque)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Se eu tivesse um barco...

Durante anos, Rubem Braga publicava ao fim de suas crônicas na revista “Manchete” uma seção sob o título “A poesia é necessária”. Evidente que os poetas escolhidos eram os de sua preferência. Imitando o mestre, gostaria de transcrever um pequeno poema de Ribeiro Couto intitulado “Cais matutino”.

“Mercado do peixe, mercado da aurora:/ cantigas, apelos, pregões e risadas/ à proa dos barcos que chegam de fora./ Cordames e redes dormindo no fundo;/ à popa estendida, as velas molhadas;/ foi noite de chuva nos mares do mundo.”

“Pureza do largo, pureza da aurora./ Há viscos de sangue no solo da feira,/ se eu tivesse um barco, partiria agora./ O longe que aspiro no vento salgado/ tem gosto de um corpo que cintila e cheira/ para mim sozinho num mar ignorado.”

Com o fim da campanha eleitoral e a eleição da nova presidente da República, com a enxurrada de palpites, previsões, análises, comentários e notícias em geral, a melhor forma de reagir contra o tsunami da ocasião foi buscar um sítio mais elevado para melhor apreciar os acontecimentos.

Ao contrário do que muitos pensam, a poesia não é recurso de covardes e alienados. Nunca, jamais em tempo algum, cometi um verso, um poema. Não quer dizer que seja corajoso e antenado com a realidade atual. Mas frequentes vezes apelo para ela quando sinto que a poesia expressa um momento que estou vivendo. O “mar ignorado” do poema de Ribeiro Couto define o universo que me foi dado navegar sem ser preciso.

Tomei conhecimento do poeta quando li, na adolescência, um livro que muito me marcou: “Presença de santa Terezinha”. Tinha ilustrações de Portinari. Apesar de um pouco esquecido, considero Ribeiro Couto, diplomata e acadêmico, um dos maiores poetas de nosso modernismo.

Publicado em 02/11/2010


redacao@gazetadopovo.com.br (Carlos Heitor Cony)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

SANTA CECILIA

22 de Novembro - Dia de Santa Cecília, Padroeira dos Músicos

No dia 22 de Novembro, comemora-se o Dia do Músico. É também o dia da padroeira dos músicos, Santa Cecília.

Segundo a Igreja Católica, Cecília era uma jovem e bela romana. Nascida no século II, foi prometida em casamento ao jovem Valeriano. No dia das núpcias confessou ao noivo que havia consagrado sua pureza a Jesus Cristo e que um anjo guardava sua virgindade.

Valeriano, que era ateu, disse que respeitaria sua vontade, desde que ele visse o tal anjo. Cecília então pediu que ele procurasse o bispo Urbano, para que fosse batizado e purificado. Seguindo as instruções da noiva, Valeriano tornou-se cristão e teve a visão do anjo. O casal passou então a professar junto a fé cristã, tendo convertido também Tibúrcio, irmão de Valeriano.

A todos que receberam este dom divino de cantar, compor ou tocar um instrumento, os parabéns do Portoweb e os votos de que sua música contribua para a construção de um mundo cada vez melhor. 

Oração do Músico

Deus, Todo-Poderoso, que nos destes a vida, os sons da natureza,

o dom do ritmo, do compasso e da afinação das notas musicais,

dai-me a graça de conseguir técnica aprimorada em meu instrumento,

a fim de que eu possa exteriorizar meus sentimentos através dos sons.


Permiti, Senhor, que os sons por mim emitidos

sejam capazes de acalmar nossos irmãos perturbados,

de curar os doentes e de animar os deprimidos;

que sejam brilhantes como as estrelas

e suaves como o veludo.

Permiti Senhor, que todo o ser que ouvir o som do meu instrumento

sinta-se bem e pressinta a Vossa Presença.

domingo, 28 de novembro de 2010

Todo mundo tem nostalgia....

Todo mundo tem nostalgia por um outro lugar. Todo mundo gostaria de se mudar para um outro lugar mágico. Mas são poucos os que têm coragem de tentar.
A vida é assim. Seria bom se as alternativas com que nos defrontamos fossem sempre entre o certo e o errado, o bom e o mau. Seria fácil viver. Mas há situações que nos colocam diante de alternativas igualmente dolorosas e de resultado incerto.(Rubem Alves).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vou-me embora pra Pasárgada...

Quando o assunto é política eu costumo dizer que eu acho o seguinte: Como quem acha não sabe nada, então não sei nada sobre essa matéria.
Diante da dúvida de quem eu vou votar, se é  Nesse ou Naquele.
Resolvi  pegar uma carona com o Poeta Manuel Bandeira e Vou-me embora prá Pasárgada, também.
Nem mesmo precisarei  justifcar o voto , pois lá sou amigo do amigo do Rei.

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

(Manuel Bandeira)

sábado, 11 de setembro de 2010

O Jeito, no Momento, é ver a Banda passar...

O poeta maior Carlos Drummond de Andrade dedicou-lhe uma crônica, publicada no correio da manhã:

O jeito, no momento, é ver a banda passar, cantando coisas de amor. Pois de amor andamos todos precisados, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciado.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Parabéns a Você Vasco da Gama pelos 112 anos de glória !!!!!!


Nunca pense que está sozinho quando você vive futebol, respira futebol. Isso significa que você faz parte dessa paixão mundial pela bola porque, futebol além de um esporte, é um ideal de vida.
Vinícius de Morais

domingo, 11 de julho de 2010

ALENTO

Violão esquecido num canto é silêncio
Coração encolhido no peito é desprezo
Solidão hospedada no leito é ausência
A paixão refletida num pranto, ai, é tristeza
Um olhar espiando o vazio é lembrança
Um desejo trazido no vento é saudade
Um desvio na curva do tempo é distância
E um poeta que acaba vadio, ai, é destino
A vida da gente é mistério
A estrada do tempo é segredo
O sonho perdido é espelho
O alento de tudo é canção
O fio do enredo é mentira
A história do mundo é brinquedo
O verso do samba é conselho
E tudo o que eu disse é ilusão
Paulinho da Viola

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Santo Antonio de Lisboa, Florianópolis

 
Santo Antônio de Lisboa foi uma das primeiras comunidades fundadas por imigrantes açorianos que chegaram à ilha na metade do século XVIII. Até o início do século passado foi um dos principais pólos da cidade do Desterro, junto com as Freguesias da Lagoa da Conceição, da Vila Capital (no centro) e do Ribeirão da Ilha. Por estes motivos, Santo Antônio de Lisboa é conhecido por ser um refúgio de belas construções e belas paisagens. Da praia pode-se avistar a Baía Norte e o Continente. A freguesia, conserva além da arquitetura tradicional, costumes herdados pelos colonizadores açorianos como a Festa do Divino Espírito Santo, o Terno de Reis e o Cacumbi. 
Pela localização priviligiada (em média está a 25 km do aeroporto, 15 km do centro e 12 km das principais praias do norte da Ilha) e também pela tranqüilidade e belezas naturais, essa região, incluindo o Bairro de João Paulo, tem sido muito valorizada nos últimos anos. Atualmente é considerada uma das regiões mais nobres de toda Ilha. 
Vários grupos de danças folclóricas como o Pau de Fita, Boi de Mamão e a Ratoeira, formados por membros da própria comunidade, são incentivados através de festas religiosas a manter os costumes e as tradições açorianas.
 Um Passeio inesquecível

Pedaços do caminho